Punta del Diablo, Uruguay – I will stay, it’s re-lindooo!!

(Trying to update this, and I will write in portuguese and english below!)

(Besides, I had a bunch of pictures, but after 2 days trying to upload them, I quit. This time you just get the text and 2 or 3 pics.) – check my instagram for pictures.

(Tentei colocar fotografias neste post, mas esta net anda há dois dias a brincar comigo, e resolvi desistir.) – é ir ao instagram e ver o que há aqui.

Português:

Acabaram-se os post por dias. É impossível não perder de vista os dias e as horas. Elas passam, e o tempo torna-se imensurável. Perco-me. Finalmente consegui o que queria. O que me levou a deixar o meu país para trás, começa agora a parecer mais perto e mais certo. Quando se viaja sozinho, pelo menos passa-se comigo, repenso várias vezes as minhas escolhas e decisões, e sinto que era mais fácil ter a confirmação de alguém do que aquilo que escolhi é o certo.

-“Ir agora à Patagónia, ou fazer primeiro o Norte da Argentina? Voar ou ir de autocarro? Começar já a trabalhar ou continuar a viajar até o dinheiro esticar? Ir já às cataratas do Iguaçú ou esperar para quando passar pelo Brasil?” Sim, eu sei, questões difíceis e complexas do mundo moderno. (Desculpem lá). Na verdade sim, são, porque o orçamento não estica e há decisões a tomar. É muito giro viajar sem planos (que é o item nº 1 da minha lista de resoluções), mas viajar assim desta forma, e ir de férias não é a mesma coisa. Por outro lado, também percebi que de nada me adianta viajar por tempo indeterminado, se andar sempre a contar os tostões. Quando o dinheiro chegar a meio, volto para trás, não vá eu acabar a lavar pratos numa barraca de empanadas. (Hummmmm… as melhores de sempre, aqui no Uruguay!!!)

Sim, ainda continuo no Uruguay. Impossível deixar este país. E só de pensar que não tinha nenhuma expectativa. Ao contrário de Buenos Aires, que todos me diziam que ia amar, que é uma cidade fenomenal. Bom, aprendi uma palavra para descrever Buenos Aires: A-VA-SSA-JA-DO-RA. (escreve-se avassalladora), mas à boa maneira argentina, avassajadora! Overwhelming. Sentia que estava sempre a perder algo, e que tinha de acompanhar o ritmo da cidade. Andava nas ruas, e toda a gente usa a mochila para a frente ou se agarra demasiado às malas e carteiras, como se fossem ser assaltadas em qualquer esquina, dia ou noite. É um sentimento de falsa insegurança, pelo que me disseram. É mais incutido pelos próprios argentinos, e não corresponde à verdade. Mas não sabendo nada disso, sentia-me sempre alerta, e isso desgasta muito esta cabecinha. Por isso decidi vir para o Uruguay, o país sem-expectativas e que já me tem.

Não sei se tenho tido sorte com as pessoas que tenho encontrado e com os sítios que tenho escolhido, mas a verdade é que tem melhorado dia após dia. A cada sítio novo, sinto que é impossível haver melhor. Sei que disse que Cabo Polónio era o paraíso, mas menti. Punta del Diablo é o paraíso. Vim sem sequer ter reserva onde dormir, e sem saber nada deste sítio, e quando procurava alguém para partilhar um táxi na estação de autocarros, duas alemãs disseram que iam ficar num hostel, então vim também. Foram embora no dia seguinte. Eu já cá estou há 4 dias, e não tenho intenções de sair tão cedo.

 

Não sei bem o que dizer deste sítio, e deste grupo que partilha o mesmo espaço. Talvez consiga definir isso numa frase: Nos primeiros 3 dias, não saí do hostel a não ser para ir dar um mergulho à praia mais perto (2 minutos a pé) e voltar. Argentina, Uruguay, França, República Checa, Brasil, Bélgica e Cazaquistão juntos à volta da fogueira. História, relações, viagens, política, futebol, cinema, sexo, medos, emprego, desilusões… Como se de um grupo de amigos antigos se tratasse.

 

A beleza de viajar, não está nos lugares que vemos, mas nas pessoas que conhecemos. Até os cães que geralmente nunca me ligam, porque também não lhes ligo muito, aqui me amam. Aceito o amor e fico até querer.

 

 

 

Felizmente encontrei um sítio onde posso montar um estúdio improvisado e continuar a trabalhar. Se continuar assim, não sei se volto tão cedo. Ahahah.

 

Obrigada Uruguay. Hostel Mar de Fondo, you got me!

PS- Aqui usa-se um “re” como prefixo para reforçar o significado da palavra. Re-lindo. Re-cansado. Re-tranquilo. Re-bonita. E por isso digo, que aqui estou re-feliz. E a juntar a isso, começo a trabalhar aqui amanhã. Em troca de dormida e comida, faço a recepção e algumas limpezas. Re-contente!

 

 

English:

No more postings for days. It is impossible not to lose sight of the days and the hours. They pass, and time becomes immeasurable. I lose myself. I finally got what I wanted. What led me to leave my country behind, now begins to seem closer and more certain.

When traveling alone, at least it happens with me, I rethink my choices and decisions several times, and I feel that it is easier to have the confirmation of someone, for some questions.

– “Go now to Patagonia, or go first to the North of Argentina? Fly or go by bus? Start working or continue traveling until money stretches? Go to the Iguassu Falls or wait until I get to Brazil?” Yes, I know, difficult and complex issues of modern world. (Sorry, guys!) In fact yes, they are, because the budget does not stretch and there are decisions to be made. It’s a lot of fun to travel without plans (which is the # 1 item on my list of resolutions), but traveling like that, and going on vacation is not the same thing.

On the other hand, I also realized that it is no use to me to travel indefinitely, if I always have to count the pennies. When I’ll spend half of my moneu, I’ll go back, or I will end up washing dishes in an empanada restaurant. (Hmmmm… By the way, the best ever, here in Uruguay !!!)

Yes, I’m still in Uruguay. Impossible to leave this country. And just thinking that I had no expectations. Unlike Buenos Aires, I was told that I would love, that it is a phenomenal city. Well, I learned a word to describe Buenos Aires: A-VA-SSA-JA-DO-RA. (it is written avassalladora), but in the good Argentine way, avassajadora! Overwhelming. I felt that I was always losing something, and that I had to keep pace with the city. I was out in the streets, and everyone wears the backpack frontside, or clutches their bags and wallets too, as if they are being mugged on every corner, day or night. It’s a feeling of false insecurity, as far as I’ve been told. It is more incuted by the Argentines themselves, and does not correspond to the truth. But knowing nothing of it, I was always alert, and this is very exhausting for this small kid.

So I decided to come to Uruguay, the country without expectations, already got me.

I do not know if I have been lucky with the people I have found and with the sites I have chosen, but the true is that it has improved day by day. With each new place, I feel that it is impossible to top it. I know I said Cabo Polonio was paradise, but I lied. Punta del Diablo is paradise.

I came without even having a reservation where to sleep, and without knowing anything about this place. When I was looking for someone to share a taxi at the bus station, two German girls said they were going to stay in a hostel, so I came too. They left the next day. I’ve been here for four days, and I have no intention of leaving so soon.

I’m not sure what to say about this place, and of this group that shares the same space. Maybe I can define this in a sentence: In the first 3 days, I did not leave the hostel except to go for a quick swim to the nearest beach (2 minutes walk) and come back.

Argentina, Uruguay, France, Czech Republic, Brazil, Belgium and Kazakhstan together around the fire. History, relationships, travel, politics, football, cinema, sex, fears, employment, delusions… As like a group of friends who have known each other for long.

The beauty of traveling is not in the places we see, but in the people we know. Even dogs that usually never love me, because I do not care too much about them (sorry, I never had a pet), they love me here. I accept love until it lasts.

Luckily I found a place where I can set up an improvised studio and continue to work. If it continues like this, I do not know if I’ll be back anytime soon. Ahahah.

 

Thank you Uruguay. Hostel Mar de Fondo, you got me!

PS- Here a “re” is used as a prefix to reinforce the meaning of the word. Re-cute. Re-tired. Re-quiet. Re-beautiful. (Re-lindo. Re-cansado. Re-tranquilo. Re-bonita). And so I say, here I am re-happy. And to add to that, I start working here tomorrow. In exchange for sleep and food, I do the reception and some cleaning. Re-happy!

 

 

 

 

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