Day 9, 10 and 11 – Cabo Polonio, el Paraíso

(back to portuguese, sorry! Let’s split the bad for the villages, as we say in portugal, “dividir o mal pelas aldeias”).

Para as pessoas como o meu pai que acham que os meus posts só têm 3 linhas, é preciso clicar no título do post. Obrigada. 🙂 Dá-lhe, pai.

Cabo Polonio

Andei as voltas na minha cabeça a tentar arranjar palavras para descrever o sítio onde estou agora, mas não há. Não consigo verbalizar o que é este sítio perdido no tempo e no espaço. Em vez de tentar, deixo-vos com uma parte do que aqui mais me surpreende a cada minuto que aqui passo: as imagens. O resto está nas pessoas que aqui conheci, nas histórias que ouvi e nas lições que aprendi.
E a maior parte têm de vir ver pelos vossos próprios olhos. Não há sítio nenhum como este.

4 horas, 3 autocarros e 1 camião, depois do início da jornada para o sítio que todos diziam “tens de ir!!!”, chego a isto.

 

 

El Paraíso

Uma aldeia perdida da civilização. 50 habitantes permanentes. Sem electricidade nem água canalizada. Cada casa tem o seu gerador, e botijas de gás. Tudo é racionado, e o lema é agradecer e respeitar a natureza e os animais porque esta terra é deles.
A conviver lado a lado com os 50 habitantes permanentes de Cabo, estão dezenas de cães vadios, todos amigáveis e bem tratados, e milhares de focas, lobos marinhos. Em algumas alturas do ano, dividem terreno com os pinguins e as baleias.

Cabo Polonio faz parte de uma reserva natural, um parque natural protegido, e por essa razão não é possível construir mais casas nem sequer fazer arranjos nem obras nas que já existem. Por essa razão, o contrabando de materiais de construção é maior que o tráfico de droga na América do Sul. Há gente a arrastar tábuas de madeira pela praia para fugir aos 2 polícias que há na aldeia.

Aos domingos todos se juntam numa antiga escola, para ver um filme projectado no quadro. Ontem as “Pontes de Madison County” puseram as 30 pessoas na sala de aula, desde velhos a novos, a chorar timidamente no escuro. Além do som do mar, ouviam-se fungadelas como som de fundo. E a 40 minutos do fim, o símbolo do Windows aparece no ecrã com a palavra “restarting”, e foi a primeira vez que fixz uma pausa de um filme, ou espectáculo, sem ver ninguém agarrado ao telemóvel. Quiet an experience, hein?

“As Pontes de Madison County”/Bridges od Madison County
Hei-de sempre gostar deste clássico, vi-o umas 4 ou 5 vezes e nunca me canso. Mas ontem… senti que era definitivamente o dia certo, à hora certa, que devia passar.
“In life, never stop persuing what makes you happy!”, a mensagem do filme, é a lição mais importante que cabo Polonio me deu.

 

À volta da fogueira under the moonlight. No internet, just people around the fire.

Conheci um casal incrível, ingleses, ele 24, ela 25, que estão a viajar de carro pela América do Sul e também vieram parar a Cabo Polonio. Ele é realizador, ela é enfermeira. Ele pediu-a em casamento no cimo do Machu Picchu no Peru. Ela aceitou. Depois disto, voam para a nova Zelândia para contar a novidade às famílias, durante o Natal. Um casal maravilhoso, muito comunicativo, divertidos e apaixonados. Queria ter passado mais tempo com eles. Ofereceram-me boleia para a próxima cidade, mas resolvi ficar mais um dia aqui pelo paraíso. Não sei se encontro esta paz na civilização. Com muita pena minha, recusei.
O ano em que aluguei um quarto na casa de uma família, aos 16 anos, cujo pai era surdo mudo, fez-me desenvolver uma habilidade que nunca me foi tão útil como nestes últimos dias, com este casal. Ler nos lábios. Isso e algumas noites a jogar mímica. Ahah. Eles são ambos surdos mudos. E não houve nenhum obstáculo em nenhum momento. Percebi, que para alguém se fazer entender e comunicar, basta querer.
Portugal em língua gestual, é passar o dedo desde a testa ao queixo, indicando o perfil de alguém, porque se assemelha ao recorte do mapa do meu país. Uau.
França é fazer o gesto de enrolar um bigode à Dali, e Alemanha é levar o dedo indicador paralelo à testa, enquanto que Suíça, por mais que apontasse para os relógios ou desenhasse um toblerone, eles não chegaram lá. Jogámos à mímica para adivinhar os nossos país. Claro que nos deram uma abada geral. São pros! 🙂 Desenhar uma cruz no peito como a bandeira, e está dito: Suíça.

Cabo Polonio, não me quero ir, mas tens tanto de maravilhoso e paradisíaco como caro.
Daqui sigo viagem, para já, ainda neste país. Todavia não estou preparada para deixar o Uruguay. (Che, todavia, no!) A minha conta bancária sim, mas eu faço-a esticar, como fiz com a massa que ando a comer há dias. É preciso pagar para entrar na aldeia, e como não há multibancos e só se pode pagar em dinheiro e o meu esgotou todo em 2 dias, tive de me vir embora. :,(

 

  

Vista do quadro. Acordar e mergulhar.

Sigo com a compincha de viagem que adoptei por agora, para Punta del Diablo. Espero não sair deste paraíso, para ir parar ao inferno. (Agora que já cá estou, posso dizer que é o Inferno sim, mas do vento!!!)

Cabo Polonio, uma vila que se transforma numa experiência que não se pode descrever. Para os curiosos, tenho alguns vídeos no instagram. (@diana_nicolau).

(Ah, e também cheira muito a cocó pela ilha toda. Cães e hippies no mesmo espaço, got it?)

Mas para quem se pergunta pelo tempo, e questiona o paradoxo da camisola polar, o casaco de inverno, e os calções e chinelos, explico numa palavra: denial. Negação. É verão, mas é o verão da Fonte da Telha em Novembro. Por isso, continuo em negação, e uso calções com casaco de inverno.

PS-Para quem se pergunta: “Então mas sem electricidade e sem net, escreveste como? Pois bem, escrevi lá, e publiquei agora, acabada de chegar a Punta del Diablo”.

Tchintchin aos paraísos perdidos deste mundo.

Diana.

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2 thoughts on “Day 9, 10 and 11 – Cabo Polonio, el Paraíso

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