Day 3 – Che Maradona, que Boca! |Buenos Aires, Argentina|

Day 3 – Che Maradona, que Boca!

 

Este título é ao estilo da rubrica do Markl do Homem que Mordeu o Cão. Um mix de histórias metidas no título.

Quero que o blog seja uma espécie de terapia de liberdade criativa e não uma prisão, por isso, escolhi escrever dia sim dia não.

Buenos Aires é gigante e muito avassaladora. Há gente a cantar, a dançar, a correr, a gritar, a ser assaltada, a sorrir, a dar-te indicações, a meter conversa, a pedir dinheiro, a oferecer ajuda, por todo o lado. Há lagos e pântanos, arte urbana e arranha-céus que convivem em harmonia. Há de tudo.

Reserva Ecológica

O que mais gosto quando viajo sozinha é poder conhecer pessoas novas todos os dias. Claro que há uma altura em que quero desligar as línguas todas à minha volta e estar ‘sogadita’ no meu canto. Estou no hostel que encontrei no booking, e a maior parte das reviews diziam que era um óptimo hostel para ‘solo travellers’. Então foi uma decisão fácil. A quantidade de gente que viaja sozinha por vários meses, com a mesma história ‘despedi-me-e-vim-viajar’, é incrível.

Ontem parecíamos uma anedota: Uma portuguesa, um canadiano, uma australiana, uma francesa e um inglês foram jantar uma típica ‘parrillada argentina’ (deve ler-se ‘parijada, à boca maneira argentina, não esquecer!’). 5 pessoas com idades entre os 23 e os 34, com budgets diferentes, profissões totalmente diferentes, vidas e sotaques dignos de uma anedota, sentados à volta de uma tábua com uma pilha de carne (ainda bem que não virei vegan antes de vir para cá), e 2 garrafas de vinho argentino, e estávamos lançados.

 

A (not so ) free walking tour foi a maior que já fiz, 5 horas, 10 km a pé. Resumidamente, há 6 igrejas maradonistas, que adoram o Deus Maradona (exactamente!) e a imagem da virgem maria, é uma foto da mãe dele, e no lugar de Jesus, está o próprio baixote gordinho, em estátua. O Che Guevara, ao contrário do que se pode pensar, é só um ícone pop e ninguém quer saber dele aqui, só nasceu cá, e foi fazer a vidinha dele onde já sabemos. Há um único mural de homenagem a ele, mas como os argentinos nem gostam assim tanto dele, pintaram-no com um bigode farfalhudo em homenagem a um cantor popular de cá (equivalente ao nosso Quim), pintaram-lhe uma camisola do Boca Junior (uma das grandes equipaa de futebol de cá), puseram-lhe um palito na boca (imagem de marca de um humorista argentino), e até se esqueceram da bóina. Um mural de homenagem ao Che, que de Che já não tem nada. Pobre Ernesto.

O tango veio das prostitutas que para aliciar os clientes, dançavam com eles, completamente coladas, a ver se os convenciam a pagar-lhes pelo servicinho. É por isso que é uma dança tão caliente e ‘se dança muy pegadito’. Ainda tenho de ir a uma milonga e dançar tango para ver se me ajeito.

La boca é um dos bairros mais conhecidos de Buenos Aires, cheio de cores e pátios escondidos, maravilhoso! Cheio de turistas e de gente que sem te aperceberes te mete um chapéu

e um xaile e de repente já estás a dançar tango e no fim pedem-te uma fortuna por 20 segundos de baile. Giro!

Há coincidências maravilhosas, e tenho conhecido pessoas locais que nos primeiros segundos de conversa já te dar o contacto e te convidam a ir a casa delas. Hoje, por acaso, sentei-me ao lado de um casal nos seus 60 anos, do Uruguay, e conversámos durante mais de uma hora. Entre risos e lágrimas foi a hora mais enriquecedora desde que cheguei. Ela professora numa escola de miúdos super problemáticos. Ontem o maior narcotraficante do Uruguay, procurado há anos foi preso, e o filho dele é aluno dela.

Depois da segunda guerra mundial, a França devia imenso dinheiro ao Uruguay e para pagar essa dívida deu-lhes o direito de usar a palavra Champagne nos seus ‘champagnes’. Essa é a razão pela qual só existem champagnes de França ou do Uruguay.

Pronto, uma mescla de histórias porque hoje sinto-me tão lenta como a internet deste hostel, e sem capacidade para mais. Ainda não mudei o chip, e é tudo muito avassalador e rápido. Mais um par de dias e já entro no ritmo.

 

Esta avenida é a mais larga do mundo, segundo eles dizem; Avenida 9 de Julio (se quem que os brasileiros dizem que quem tem a avenida mais larga do mundo são eles); nós com a nossa avenidazita da república ou da liberdade estamos muito bem. Andou o Costa a tirar faixas de rodagem para alguma coisa.

Pronto, e agora vou dormir que há um churrasco no piso de baixo e o fumo e o barulho estão a pedir que ponha os tampões nos ouvidos, uma máscara nos olhos e devolva à cama as horas que ontem lhe fiquei a dever.

Amanhã, domingo. Tchin tchin Buenos Aires, cada dia uma cidade diferente, sem sair da mesma. Uff.

 

 

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