Day 1 – Buenos Aires, Nuevos Aires

Day 1 – Buenos Aires, Nuevos Aires

Se há uma coisa que não foi tão buena ao atravessar o oceano, foi a própria travessia.
Muito me gabei de ter conseguido uma viagem tão barata. Lisboa-Buenos Aires, rondava os 750€ em média, no mês em que andei a pesquisar.
Todo o bom forreta português, sabe que há formas de contornar as manhas da internet e conseguir bilhetes mais baratos, como:

1º: Procurar sempre viagens em janelas privativas (ou nunca se deram conta que quando procuram uma viagem para Cuba, de repente, em todo e qualquer pop-up, página ou até no feed do facebook vos querem impingir as terras de Fidel?) a isto se chama…?

2º: Eu uso vários motores de busca, como o Momondo, Skyscanner, até o Logitravel tem bons negócios, às vezes. Podem sempre perguntar numa agência de viagens, eles costumam conseguir bons preços se for com antecedência.

3º: Esta dica é das mais valiosas, mas ainda não descobrir como fazer isso no meu computador. Mudar a localização do gps no nosso browser, e enganar assim o computador. Ao fazer de conta que estamos no Mali, uma viagem Lisboa-Outro destino, pode sair bem mais barata. (Obrigada Marco Pacheco pela dica, mas ainda não descobri a manha). – se descobrirem, digam me.

4°: Se tiverem mais tempo que dinheiro, considerem viajar de outra cidade (origem) porque por vezes uns kms a mais de expresso (para o Porto ou Faro), ou até mesmo Madrid ou Barcelona, compensam a poupança na viagem.

5°: evitar a edreams! Sempre tive más experiências com eles. Ora dizem que tem bagagem incluída, chego lá e tenho de pagar extras, ora mudam a hora do voo e não dizem nada, e perco uma escala. Quero reclamar com alguém e a companhia manda me falar com a edreams, e a edreams passa me de call center em call center até gastar o dinheiro que poupei em viagens, em chamadas telefónicas. Ufff…até fiquei cansada de recordar situações antigas.

Fiz um pouco de tudo, e consegui a viagem Lisboa-Buenos Aires por pouco mais de 300€, viajando de Barcelona. (Lisboa-Barcelona em lol cost ficou-me a 40€). Andava a gabar-me toda feliz da minha compra. Pela boca morre o peixe. Pois, neste caso, nem peixe nem carne, nem uma sandocha daquele fiambre a que eles chamam “chicken”. Uma viagem de 14 horas sem escalas, (que claaaaaro que para poupar dinheiro não escolhi lugar, então calhou me o lugar do meio, entre um miúdo suiço saído da família Vontrapp e uma sósia da Ágata mas o dobro dela), num avião muito apertado, com pouco espaço para pernas (e eu sou uma miúda de 1,50m).

Mas pensei, tudo bem, porque até durmo bem em aviões (geralmente já estou a babar-me antes sequer de levantar voo) e só preciso acordar para comer e escolher qual o filme que me vai fazer adormecer outra vez, até acordar à próxima refeição, mudar de filme, e voltar a comer. Esta é a minha rotina de voos de longo curso. Mas desta vez, percebi rapidamente porque tinha sido tão barata a viagem. Qual comida qual quê?
Levantámos voo as 8:00h (como tinha comida qualquer coisa as 6:00h, estava firme e decidida a dormir). As 10:00 acordo e cheira-me a comida. As pessoas ao meu lado estão já a terminar de comer.
Eu abro o meu tabuleiro, para me deixarem o meu pequeno almoço também, e voltei a adormecer.
Acordo novamente passado um tempo, e nem comida nem hospedeira. Ok, também não tinha muita fome, espero pela próxima refeição. Pensei eu.
As 14:00h continuam sem me servir nada e vejo que algumas pessoas têm tabuleiros com comida mas toda diferente. A Ágata ao meu lado, chama o assistente de bordo e pede uma Coca-Cola e umas batatas fritas. E eu penso -“ah, será que tenho de pedir?”, e quando estava a meio desse pensamento vejo que a Ágata está a entregar o cartão de crédito ao assistente.
Hummm. Estranho. O Vontrapp ao meu lado que não tem mais de 20 anos está a comer uma lasanha de almôndegas e ninguém lhe pediu dinheiro.
Eu decido chamar alguém e dizer que tenho fome, dizem-me para ir ao menu e escolher, mas que já têm poucas coisas. Escolho uma salada que tem preço ao lado. Aliás, tudo tem preço. Percebo que o que poupei nos 300€ vou gastar agora aqui em comida.
(Vamos aterrar, a hospedeira manda me largar o computador, e a mim apetece me mandar lhe com a mini salada de quinoa e cenoura de 10€ à cara, mas sorrio e digo “claro, ahora mismo!”)
Já volto.

(5 horas depois – Já no Hostel)

 

Não há como não ficar encantado com o sotaque dos Argentinos. Buenos Aires é a 7ª maior cidade do mundo, com pouco mais de 3 milhões de habitantes. E tudo aqui é “muy lindo”, já me dizia o motorista do autocarro.

(ALERTA MÚSICA: ouçam isto aos 20:00′) –

-“De donde eres?”

-Portugal.

-“Que lindo! Vienes de vacaciones?”

-“Un poco de todo.”

-“Que lindo! Donde vás a dormir?”

-“En el barrio de San Telmo.”

-“Ohhh, jo creo que es el barrio máj lindo de Buenos Aires!”

Tudo aqui é ‘muy lindo’, e esta forma de meter ‘jotas’ em tudo, é um encanto.

Depois de uma viagem de quase 2 horas e 2 transportes depois, chego a San Telmo, e para já só conheço a frutaria e as empanadas do Juan, o rapaz do bar aqui do lado. Peço uma cerveja local e brindo à minha chegada.

 

 

 

 

 

 

 

 

Amanhã já tenho a ‘fritura’ (em TOP – tip of the day) às 11:00h pelo bairro La Boca, o berço do Tango.

Houve muita gente que antes de vir, me entregou postais, uns de boa viagem, outros de boa sorte, outros para abrir no Natal, no meu aniversário, etc etc. Houve um que me deixou horas a pensar que há histórias que se cruzam. Sempre adorei o Dali, é dos meus preferidos. Quando tinha 15 anos, li a biografia dele e dei de caras com um quadro que pintou em 1925 – ‘Figura na Janela’.

Senti-me tão atraída por ele que o pintei, a óleo, do tamanho original (uma bodega, claro está, as pinturas ficaram na adolescência). E um dos posteis que me entregaram era essa imagem. As 14h de voo hoje deram para pensar em muita coisa, além de tentar perceber como ia conseguir comer no avião, percebi que talvez aquele quadro sempre me tenha fascinado muito por me rever nele. Finalmente saí da janela, e vim espreitar este mundo. Dali para Aqui.

Tchin tchin, Dali!

 

Diana

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One thought on “Day 1 – Buenos Aires, Nuevos Aires

  1. Esse “postel” que te entregaram e que tu pintaste, como dizes, figura numa das paredes desta tua alegre casinha, onde te lembramos, adolescente…
    Ele há coisas e loisas!…

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